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PUBLICAÇÃO

A publicação interdisciplinar à escuta: catálogo poético reúne contribuições de vários colaboradores do projeto e a sua versão .pdf encontra-se disponível para download.

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à escuta: CATÁLOGO POÉTICO — é um projeto de criação artística concebido por Joana Sá (pianista e compositora) e Luís J Martins (guitarrista e compositor) para, e com, a pequena aldeia de Frádigas — Vide, Seia, Guarda e Parque Natural da Serra da Estrela.

Realizado em colaboração com a comunidade local, com o coletivo / workshop Camposaz (orientado pela arquiteta Mariella Gentile), a designer Ana Viana, o CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, o GEOPARK Estrela, o MEV - Movimento Estrela Viva e ainda com a ADIRAM - Associação para o Desenvolvimento Integrado da Rede das Aldeias de Montanha, este projeto visa a criação de um catálogo poético de instalações / performances interdisciplinares — musicais, sonoras, arquitetónicas, visuais — na aldeia de Frádigas e a sua envolvente.

Partindo de uma noção de escuta enquanto relação de ressonância com o “outro” e enquanto proposta de relacionamento entre a comunidade local, a comunidade científica, movimentos cívicos da região e artistas, este “catálogo poético” de instalações artísticas e performances faz um convite à escuta e à exploração da aldeia e do Parque Natural da Serra da Estrela (PNSE) envolvente, propondo diferentes experiências do território.

Diversas vozes e diferentes perspetivas multidisciplinares sobre a aldeia e o PNSE foram recolhidas, gravadas, traçadas e colecionadas em mapas, cadernos e cartazes que, por sua vez, foram distribuídos, manipulados e trabalhados por cada interveniente da comunidade local e da comunidade científica. Relacionando-se com estes encontros, perspetivas e materiais, os músicos Joana Sá e Luís J Martins conceberam e desenvolveram um conjunto de instalações / performances com o coletivo / workshop de arquitetura e construção Camposaz.

Estas instalações/performances são pensadas como obras fragmentárias, percursos não lineares a nível de espaço e de tempo: uma instalação pode ser feita, por exemplo, numa relação com uma performance e um lugar específicos... a performance ocorre num determinado momento, mas a instalação, apesar de efémera, poderá ter uma vida um pouco mais longa, podendo ficar como traço ou vestígio dessa performance, dessa relação.

O catálogo poético é assim constituído por obras fragmentárias que se relacionam e ressoam entre si, mas que se encontram dispersas pela envolvente da aldeia, procurando captar à distância a escuta e o olhar atentos e curiosos dos espectadores.

Todos estes encontros e processos artísticos procuram trazer para o centro deste projeto a reflexão sobre o futuro deste território no “interior do interior” do país (que enfrenta graves problemas de desertificação, isolamento, incêndios florestais, alterações climáticas, etc.).

O projeto terá uma fase de apresentações públicas entre 3 E 6 DE SETEMBRO DE 2021 com:

- Instalações artísticas (que estarão abertas durante todo o evento); - Performances de Joana Sá e Luís J Martins;
- Percurso CISE: à escuta (novo percurso pedestre desenvolvido em parceria com o CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela):
- Passeios interpretativos com o CISE e o GEOPARK Estrela, no contexto dos quais foi criado um painel interpretativo pelo GEOPARK Estrela que referencia Frádigas como Geossítio F10 — Vale Fluvial do Alvoco;
- Lançamento do Projeto Pontes (para o Rio Alvoco) com um encontro de associações locais — projeto desenvolvido e organizado pelo MEV - Movimento Estrela Viva;

- Sessão de co-criação com a comunidade Pensar a escola. Fazer o futuro; mural Pensar o futuro do território das Aldeias de Montanha - atividades desenvolvidas pela Rede de Aldeias de Montanha ADIRAM.
- Mercadinho à escuta: mercado de produtores locais organizado pelo MEV - Movimento Estrela Viva;
- Assembleia: à escuta - encontro aberto à comunidade dos “parceiros colaboradores” do projeto que procurará reflectir sobre este território e o seu futuro;
- Lançamento de publicação do projeto que terá distribuição gratuita durante o evento.

O projeto conta com um apoio pontual da DGArtes, Ministério da Cultura, com um apoio Garantir Cultura (Compete 2020 - Portugal 2020 - União Europeia (FEDER) ) e com os seguintes parceiros: Município de Seia, Guarda 2027, União de Freguesias de Vide e Cabeça, Miso Music Portugal, I- Portunus, Antena 2, Liga dos Amigos de Frádigas, CISE - Centro de Interpretação da Serra da Estrela, Estrela GEOPARK, Rede das Aldeias de Montanha - ADIRAM, Movimento Estrela Viva, Rothoblaas, Conservatório de Música de Seia – Collegium Musicum, EPSE- Escola Pro ssional da Serra da Estrela, DME Festival Dias de Música Eletroacústica, Grupo Pensar as Frádigas.

Conceção do projeto, instalações JS e LJM, performances; conceção e realização da OFICINA À ESCUTA: À FONTE e da oficina À ESCUTA: AO LARGO:
Joana Sá e Luís J Martins

Coordenação do workshop Camposaz:
Mariella Gentile, assistida por Chloé Daquet e Matty G.

Conceção e construção de instalações Camposaz (workshop):
Mariella Gentile, Chloé Daquet, Matty G., Asia Valencic, Gudmar Söderin, Jacopo Barelli, Marianna Landi, Marta Santana, Oliver Savorani, Tessa Bloembergen, Veronica Sereda, Mees de Jong

Design de comunicação:
Ana Viana

Moderação/instigação de Assembleia: à escuta:
Luís Sousa Ferreira

Coordenação de produção:
Corinna Lawrenz

Produção técnica e montagem CENOGRÁFICA das instalações À fonte e Paixão (natureza morta):
Carla Martinez

Produção:
Sónia Gaspar

Produção (Dezembro 2020 – Maio 2021):
Joana Sá e Luís J Martins

Direção técnica:
Hélder Nelson

Operação de som e gravação (performances) montagem técnica (instalações áudio):
Hélder Nelson e Suse Ribeiro

Fotografia (documentação):
Roman Kutzowitz

Desenvolvimento web:
Nuno Bengalito

TRADUÇÃO Do WEBSITE E DE MATERIAIS DO PROJETO (INGLÊS):
Francisca Cortesão

Participantes da oficina à escuta: à fonte:
Abílio Domingos, Alice Freire, António da Maria Rita, António Santos, Arménio Lopes, Cândido José Martins, Cândido Pereira, Carlos A. Santos, Fátima Turing, Helena Santos, Idalina Pereira, Irene Martins, Isabel Marques, Isaura Brito, José Alves, José Pereira, José Santos, Manuel Brito, Maria Barroso, Maria Luísa Pereira, Natália Freire, Rui Freire, Sofia Alves.

Participantes da oficina à escuta: ao largo:
Ângela Coelho, Carolina Fonseca, Cristiano Fernandes, David Gomes, Diogo Figueiredo, Eduardo Feneira, Hugo Linhares, Miguel Carrondo, Mónica Oliveira, Rúben Albuquerque, Rúben Pina, Sofia Alves.

© Roman Kutzowitz

Joana Sá

Pianista, compositora e investigadora. O seu trabalho destaca-se pela sua transversalidade, interdisciplinaridade e multidimensionalidade. A trilogia de solos para piano À escuta | o aberto (2010- 2019) constitui o seu trabalho mais complexo e o tema central da sua tese de doutoramento (finalizada em 2020) na Universidade de Aveiro como bolseira da FCT - Fundação para a Ciência e Tecnologias. A trilogia, desenvolvida em colaboração com Daniel Costa Neves (realizador e diretor de fotografia), é constituída por through this looking glass (2010/11); Elogio da Desordem (2013);À escuta: o aberto (2016/ ), tendo todas as peças sido estreadas no TMM, Teatro Municipal Maria Matos em Lisboa. Estudou ainda em Lisboa, Paris, Castelo Branco e Colónia. Recebeu uma bolsa INOV-ART (Ministério da Cultura) em 2009/10.

É 1⁄2 de Almost a Song (com Luís J Martins, guitarra), 1/3 do Powertrio (com Luís J M., guitarrae Eduardo Raon, harpa), 1/5 da Turbamulta (com os mesmos e ainda Luís André Ferreira, violoncelo e Nuno Aroso, percussão), 1⁄2 do duo com a cantora grega Savina Yannatou e desenvolve uma intensa colaboração com a sua irmã, a artista plástica Rita Sá. Tem-se apresentado em importantes programações nacionais (TMM, Gulbenkian, CCB, Culturgest, Serralves, Casa da Música, etc) e internacionais (Opera de Gent, Opera de Lille, Onassis Foundation, Concertgebouw Brugge, Kunst Station Sankt Peter, Bozar, DeSingel, etc) e editou diversos CDs a solo e com outras formações pelos selos da Clean feed, blinker – Marke für Rezentes, Shhpuma, Creative Sources. Gravou ainda para emissões das rádios Deutschland Funk, SWR2 (Südwestrundfunk 2) e Antena 2. Enquanto investigadora tem apresentado o seu trabalho em diversas conferências internacionais como keynote speaker, escreveu vários artigosem publicações internacionais e tem mantido uma estreita relação com o Orpheus Institute (Gent).

Desenvolve há 20 anos um prolífero e diversificado trabalho artístico com Luís J Martins, dos quais se destacam o seu duo, os projetos Powertrio, Turbamulta. De salientar ainda as encomendas feitas pelo TMM para criação e direção artística conjunta de Almost a Songbook (para o evento 100CAGE) e Paixão e Folia para São João (encomenda para o último concerto do TMM enquanto Teatro Municipal). Juntos foram ainda (2007-08) coordenadores/curadores da área da música do CENTA - Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas - em Vila Velha de Ródão, onde realizaram projetos com a comunidade e projetos artísticos pessoais.

www.joana-sa.com

© Roman Kutzowitz

Luís J Martins

O seu percurso desenvolve-se em áreas tão diversas como a música contemporânea e o formato canção. Nestes dois campos a sua abordagem musical tem sido marca distintiva dos seus projetos — Deolinda, Almost a Song, Powertrio e Turbamulta.
Estudou guitarra clássica em Lisboa, Paris, Orléans e Castelo Branco, onde concluiu a licenciatura neste instrumento. Em Paris estudou com Betho Davezac obtendo o Diplôme de Perfectionnement (Conservatoire Marcel Dupré, Meudon/Paris). Editou em 2017 o seu primeiro trabalho a solo ‘Tentos, invenções e encantamentos’, conjunto de 6 peças para guitarra clássica, guitarra preparada, eletrónica e percussões, editado pela Shhpuma.

Desenvolve com Joana Sá, desde 2000, um longo trabalho colaborativo na criação de música para teatro, cinema, projetos para a infância, etc., tendo sido ambos coordenadores da área da música do CENTA – Centro de Estudos de Novas Tendências Artísticas, onde realizaram intenso trabalho com a comunidade. Desta colaboração destacam-se ainda as criações/encomendas do Maria Matos Teatro Municipal: Paixão e Folia para S. João, 2018 (último espetáculo da sua programação musical); Almost a Songbook, 2012 (comemoração dos cem anos do nascimento de John Cage); Recentemente, destaca-se também a criação Folio 1., espetáculo de encerramento do Festival Lisboa Soa 2020.

No âmbito da canção enquanto forma musical, o seu trabalho tem-se destacado como arranjador e compositor. Para além do seu trabalho em Deolinda, tem composto em parceria com Pedroda Silva Martins para António Zambujo, Ana Moura, Cristina Branco, Hélder Moutinho, etc. Desta parceria destaca-se também a composição musical para o espetáculo de videomapping Memórias de Abril, apresentado em 2019 nas comemorações do 25 de Abril (Terreiro do Paço, Lisboa).

No âmbito do seu trabalho para cinema, destacam-se: — Technoboss [2019] de João Nicolau, direção musical, arranjos. Composição (c/ Pedro da Silva Martins e Norberto Lobo); — Platero e Eu [2019-2020] de Gonçalo Tocha (em fase de pré-produção), Composição.

www.luisjosemartins.com

Camposaz

Camposaz é um workshop colaborativo e site-specific de construção em madeira na escala de 1:1. Surgiu em Itália no ano de 2013, como iniciativa colaborativa entre as associações culturais italianas Aguaz e Campomarzio e com o intuito específico de promover a interação entre disciplinas e profissionais que lidam com projetos de arquitetura.

O workshop é aberto a arquitetos, designers, carpinteiros entre os 18 e os 35 anos de idade. A sua característica mais singular cinge-se à utilização da escala humana no ato de projetar e construir, formando instalações totalmente integradas num contexto ambiental específico: aqui o corpo humano e o trabalho manual devem ser considerados ferramentas de expressão e mensuração. Todo o processo de projeção e construção é organizado e realizado no local, sendo desenvolvido simbioticamente, passo a passo. O propósito é o de concentrar numa única experiência o ato de projetar e o de executar na prática, valorizando todo o processo criativo. Camposaz é uma plataforma aberta, sem hierarquias e funções fixas: é uma iniciativa “open source” na qual todos podem trazer a sua própria contribuição no desenvolvimento de um processo que não possui uma direção pré-estabelecida.

A equipa é geralmente formada por 12 participantes orientados por tutores e por carpinteiros locais que podem ajudar no processo de construção.

www.camposaz.com

© Roman Kutzowitz

Mariella Gentile

Estudou arquitetura entre Nápoles (2003-2010), Paris (2005-2006) e Pisa (2010-2011). Licenciou-se com uma tese que abordava temas como co-habitação, economia circular, agricultura de 0 km e autossustentabilidade. Em 2011, obteve um mestrado de segundo nível em Lucca no projeto de espaço público, com uma tese sobre arquitetura paisagística em diferentes escalas de intervenção no lago Massaciuccoli, no Parque Natural do Migliarino.

Em 2012 mudou-se para Milão, onde trabalhou ativamente com escritórios e coletivos sobreos temas dos eventos no espaço publico (com “esterni”) e da arquitetura paisagística (com Yellow Office e LANDsrl) . A partir de 2014, colabora com o coletivo Camposaz para organizar projetos intensivos de autoconstrução em contextos urbanos ou rurais em Itália, Holanda, Bélgica, Roménia e Portugal. Em 2015, mudou-se para Lisboa para realizar uma pesquisa e investigação de seis meses, depois de ter ganhado um financiamento pela Fundação Banca del Monte di Lombardia, sobre arquitetura participativa em contextos marginais, colaborando com o Ateliermob. Atualmente reside em Lisboa e trabalha como freelancer colaborando com várias entidades em Portugal, Itália e EUA para desenvolver uma arquitetura generativa efémera que provoque mutaçõese metamorfose do espaço, abrindo novos cenários de processamento e apresentando uma série de desafios e reflexões estreitamente interconectadas com a fluidez da vida quotidiana.

www.mariellagentile.it

Ana Viana

Licenciada em Design Comunicação pela Universidade de Lisboa (2007). Designer Multidisciplinar em regime de freelancer com mais de 10 anos de experiência. Cria e desenvolve vários tiposde projectos, com especial interesse em ilustração e iconografia. Colaborou e participou em vários projectos do âmbito cultural e trabalhou com os mais diversos clientes, como Projecto MAP, Experimenta Design, Trienal de Arquitectura, Festival Alkantara, Serralves, Universidade Nova de Lisboa, Lisbon Psych Fest, Gpon Networks, We Hate Tourism Tours, Lisbon Sustainable Tourism.